quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades

"Inovação democrática e transformação social para cidades inclusivas no século 21"

Promoção:
Prefeitura de Porto Alegre
Prefeitura de Montreal
Ministério das Cidades
sob os auspícios da UNESCO e da UN-HABITAT.


Parceria:
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
Banco Mundial (BIRD)
Cities Alliance
Observatório Internacional de Democracia Participativa (OIDP)
Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU)
Comissão de Inclusão Social e Democracia Participativa (CISDP)
Associação Internacional dos Prefeitos Francófonos (AIMF)
Conselho Europeu de Municipalidades e Regiões (CEMR)


ilustração com cores invertidas do logo do evento


1° DIA - 13/02 - O Direito à Cidade
Políticas Locais sobre Direitos e Responsabilidades dos Cidadãos

Bom, agora são 15:17, acabei de chegar da PUC e quis escrever imediatamente pra não perder o estado de espírito da CMDC. Depois de muitas voltas e raciocínios voluptuosos, quase barrocos, cheguei a uma palavra que resume, pelo menos o estado de espírito deste primeiro dia de conferência: TOSCA. Mas logo ela foi insuficiente e tive que acrescentar: BUNDA-MOLE.

Cheguei atrasado (como de costume) e peguei só o fim da abrtura do evento que tem como tema do primeiro dia "O Direito à Cidade". Ingenuamente, fui-me esbaforido ouvir a parte que mais interface faz da Sociologia com Arquitetura e Urbanismo. Um tesão, em resumo. Subi as escadas correndo, peguei crachá e uma mochilinha cheia de badulaques e objetos que mesmo antes de serem usados já se pode chamar lixo. Entrei no auditório do centro de eventos da PUC e sentei-me finalmente para saborear o contiúdo. Pois não é que em menos de 20 minutos começei a quase dormir na cadeira de tanto ouvir raciocínios curtos que não tem nada de novo, uma parte genérica sem sentido que se pretendia um panorama geral sobre a questão "desenvolvimento e direito à cidade", totalmente sem crítica e, ainda, pode-se dizer medrosa.

Em algum momento alguém fala em Henri Lefebvre, me ajeito na cadeira (porque agora viria a parte interessante!). Mais brochação. O cara citou o Lefèbvre para dizer que ele foi o primeiro a levantar a questão sobre o direito à cidade. Mas presumo que ele fez uma pesquisa de títulos e datas e, por eliminação chegou a esta conclusão, pois o conteúdo de "O Direito à Cidade" de Lefebvre era total estranho a este senhor. Ele não conseguiu nem falar do título do livro porque, óbvio, ele nunca tinha lido. Não aguentei até o fim, saí pra tomar um café.

Na tarde, mais ananás reunidos ao redor de uma mesa falando do "desenvolvimento" como se fosse uma coisa muito objetiva, através de experiências próprias nos seus países. Resumo das idéias: apologia do estado mínimo (e com este argumento presumem conseguir coptar a idéia de autogestão [!], conceito com o qual fazem um malabarismo pra adaptar ao neoliberalismo, malabarismo que começa lá pelo Dirceu Carneiro do PSDB na década de 70 e chega até o Olívio Dutra do OP do PT dos ultimos 12 anos de gestão), desresponsabilização do poder público, transferência dos deveres do estado para as associações civis, ode ao trabalho, à "qualidade de vida", capital social e muitas outras bizarrices que vcs nem podem imaginar. A sensação era "o que que eu to fazendo aqui...". Saí na metade pela segunda vez.

***

2° DIA - 14/02 - Governança e Democracia em Cidades
Experiências Inovadoras de Gestão e participação Democrática

Algumas curiosidades hoje.

Primeiro, a tividade de abertura: Governança e democracia em cidades - experiências de perticipação democrática. Um tal Antanas Mokus, prefeito de Bogotá, Colômbia. No seu governo conseguiu reduzir a criminalidade na capital em 48%. Por que ele está aqui? Certamente não é à toa. Fogaça e o PIG (Partido da Imprensa Golpista) pretendem usar métodos que dêem resultados estatícos semlhantes com políticas semelhantes, por exemplo: lei seca, já em vigor nas rodovias, mas não a 10 metros delas. Mas o homem (Mokus) é capaz de coisas inesperadas que o nosso prefeito, o homem genérico por excelência, não seria, como baixar as calças para os manifestantes que faziam barulho na sua palestra certa feita. O primeiro n° do Le Monde Diplomatique brasileiro traz uma longa reportagem sobre este tema.

Na oficina Modelos sistêmicos de gestão de cidades, apologia da gestão empresarial do estado para aumentar a eficiência e gerar resultados estatísticos. Falam em qualidade, mas todas as pautas qualitativas são embasadas em quantitativas. Quer dizer, isso não pode ser sério... ou pode?

Já no "grande painel 2" O grande painel John Dewey sobre democracia cooperativa, o tema foi John Dewey, um norte-americano que escreveu sobre democracia pragmática embasada na educação progressiva. "Para Dewey era de vital importância que a educação não se restringisse ao ensino do conhecimento como algo acabado – mas que o saber e habilidade do estudante adquirem possam ser integrados à sua vida como cidadão, pessoa, ser humano." (Wikipedia). A isto chamou de experimentalismo. No final das contas temos um experimentalismo pragmático. Será?

Não sei, mas sei que as pessoas que foram convidadas para esta conferência tem um lado bem definido, e não é o do ser humano, tenho impressão de que não precisamos ir longe pra saber qual é o lado...

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3°DIA - 15/02 - Desenvolvimento Local em Cidades
Processos de investimento em Capital Social para Desenvolver Ativos Econômicos, Ambientais, Humanos, Sociais e Político.

Hoje destaque especial para o PIG (Partido da Imprensa Golpista) na figura da Zero Hora, que insiste numa comparação insólita desta bizarrice com o Fórum Social Mundial. Segue a "notícia no ZH online:

Clima da conferência contrasta com a informalidade dos Fóruns Sociais
No lugar das batas hippies, tailleur e maquiagem. Em vez de camisetas e calças de algodão cru, gravatas e camisas sociais.

Pelo menos nos trajes, a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento de Cidades tem pouco em comum com o Fórum Social Mundial (FSM).

Não que o colorido dos militantes das Organizações Não-governamentais (ONGs) que marcou as edições porto-alegrenses do FSM esteja ausente desta conferência mundial sobre experiências urbanísticas. As barulhentas ONGs apenas agem como minoria na conferência.

O próprio nome do encontro que se realiza agora na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) explica a diferença. A Porto Alegre dos fóruns sociais mundiais virava uma cidade alternativa ao debater as utopias de esquerda (?). Agora, a capital gaúcha é sede de um evento que estuda alternativas práticas (?) para o futuro das cidades.

Até o tipo de assistente das palestras mudou. Abundam entre os 6.968 inscritos na conferência arquitetos, urbanistas e alunos de Direito, muitos deles policiais - sim, porque violência e crime são alguns dos assuntos palpitantes nos painéis. Estudantes também marcam presença, mas não de forma esmagadora como nos fóruns sociais.

Grande parte dos palestrantes é vinculada a algum tipo de governo e, bem de acordo com a função, traja-se a rigor. Formalidade que também influencia no visual da platéia, integrada por muitos assessores parlamentares ou comitivas oficiais de seus países. Que o diga o moçambicano Fernando Arrossa, integrante do Conselho Municipal da cidade de Matola. Ele e quatro conterrâneos perambulavam de terno e gravata na tarde de ontem pelas salas da conferência. São vereadores e vestiam-se como seus colegas brasileiros, roupa alinhada, cabelos cortados rente, cores discretas. Não fosse o sotaque, poderiam ser confundidos com executivos do Primeiro Mundo.

(...)

A música ambiente também é muito diferente da vivenciada nos Fóruns Sociais Mundiais. No lugar dos violões e das gaitas-de-boca dos acampamentos - aliás, não existem acampamentos nesta conferência - , os freqüentadores na PUCRS se deleitam, por exemplo, com solos de violino. Eles são patrocinados, no caso, por Vinícius Nogueira, violinista profissional há uma década, contratado pela Caixa Econômica Federal. Conseguiu atrair um público cativo. Tudo muito zen. Ou muito cool, como preferem os norte-americanos. Ha-ha-ha.

***

4° DIA - 16/02 - Sustentabilidade e Cidade-rede

Emergência das Redes Sociais e a Cidade Sustentável do Futuro

Bom, como a paciência já acabou vou apenas citar as duas maiores besteiras do dia:

1. Green Capitalism, sem comentários.
2. a técnica é neutra, pode ser usada para o bem ou para o mal... a técnica e a tecnologia ajudam a compor os limites do pensamento de uma época e de neutra não tem nada, isto já não é segredo pra mais ninguém, menos pros palestrantes da conferencia mundial de cidades...

5 comentários:

enrique disse...

acho que tá n hora de tu começar a ensinar, meu velho.

Felipe disse...

que peçonha eim enrico!
heheheh

Anônimo disse...

lido e apreciado. pigs out!

Anônimo disse...

ass.guerra

Miguel Coelho disse...

Tou ctg Filipe!

experienciazora

abraço!