terça-feira, 15 de julho de 2008
Michael Sorkin - A Vanguarda nos tempos de Guerra
Havia algo de revelador na coincidência do planejamento final no Ground Zero com a violenta limpeza do local e a prometida reconstrução no Iraque. Mesmo antes da guerra, o Times publicou que a administração havia convidado Bachtel, Fluor, Halliburton, Parsons, Washington (sucessor a Morrison-Kudson), e o grupo Berger para realizarem lances de bilhões de dólares em projetos via um processo expedito. “ Bechtel ficará orgulhosa de reconstruir o Iraque”, um porta-voz foi visto dizendo e certamente eles ficariam orgulhosos de ter um pouco da ação no centro de Nova Iorque também. O Iraque necessitariasua própria corporação de desenvolvimento e a administração sugeriu que estes contratos fossem supervisionados por uma “autoridade interina” (sombras da Corporação de Desenvolvimento da Baixa Manhattan e da Autoridade Portuária2) , que responderia somente aos seus superiores. Guerra começa como a extensão do planejamento por outros meios.
Nossa própria resposta como arquitetos foi pouco inspiradora. A voz política da arquitetura fala muitas linguas e não há razão para assumir que nossas visões – sem mencionar nossos estilos de expressão – devam ser uniformes. Ao contrário, a liberdade (e seu produto a diferença) é o repúdio da univocalidade. Ao mesmo tempo, esta latitude expressiva não significa o relativismo infinito, no qual a defesa do princípio é tornada inerte pela idéia de tolerância que reduz as relações socias a uma selva Hobbesiana de puro oportunismo e vale-tudo. Em particular, olhamos para nossa vanguarda como uma resposta ao poder para nossos próprios alvos de oportunidade. A vanguarda sempre carrega a idéia política da derrubada do status quo. Para escapar o simples nihilismo, no entanto, deve haver alguma visão integral do bem, mesmo que em forma obscura no momento presente. Infelizmente, nossas resposta a destruição da cidade pela globalização neoliberal ou pela guerra neo-colonial produziu pouca especulação construtiva sobre o futuro do urbanismo. Ao vermos o desastre iminente, muitos de nossos melhores simplesmente abraçaram-no: arquitetos em demasia têm tornado-se proponentes do inchaço das cidades3 e da mentalidade da solução-padrão4 que estrangulam a terra.
Mas que idéias da boa cidade valem realmente defender? E como a vanguarda arquitetônica pode usar sua quiver de inovação e transgressão para defende-las?Para mim, a cidade confronta quatro desafios principais na realização de seu futuro, das quais todas têm implicações formais.A primeira delas é a sustentabilidade, a idéia de que números e recursos têm que ser equilibrados de maneira a conservar e melhorar a saúde tanto das cidades quanto do planeta. A segunda questão é acesso. Isto traz tando tanto a justa distribuição global de recursos e a liberdade na cidade que é um direito fundamental da cidadania urbana. O terceiro é a privacidade ante a multiplicação de técnicas de vigilância e manipulação que nos prevêm de formar e manter livremente nosso sentido de subjetividade. Finalmente, as valiosas ecologias cultural e físicas devem ser preservadas. Nenhuma forma inteligente de urbanismo pode se omitir ante a defesa de seu sucesso histórico.
Em um planeta que se urbaniza exponencialmente, a cosntrução de cidades novas e sustentáveis é uma necessidade urgente e ainda não nos colocamos a altura do desafio. Dada a luta entre os objetivos que listei e as pressões de uma globalização sem limites e a militarização da cultura, os desafios estão tanto em construir estas cidades quanto em achar os meios para expressar a individualidade. Nem as visões nostálgicas nem as depredações do planejamento através da visão inefável do mercado serão suficientes: não são apenas as bombas que obliteram. Este assalto põe a prêmio a invenção artística, a criação de objetos singulares que sejam sustentáveis maleáveis e belos. É aqui que a vanguarda engajada torna-se mais crucial que nunca.
Se a vanguarda terá uma importância além da indulgência é tempo de excesso e é tempo de conversas direta para a rendição da ironia e da inteligência que salta aos olhos a torrente de demandas por um mundo melhor. A estratégia de vanguarda depende sempre demais em alguma forma bem-intencionada de mau comportamento, em borrar velhas certezas. Mas o totalitarismo atropela as ambiguidades todo o tempo.Guerra é o mau comportamento máximo e os espertos políticos no controle da carnificina do Iraque – ao apresentar-se constantemente como vanguarda (inventores da “revolução dos assuntos militares” e pioneiros dos “novos campos de batalha”) – tentam suplantar sua própria selvageria ao dar forma renovada a ela. Temos que fazer melhor que isso. O que é necessário são propostas claras na escala dos globalizadores, cidades inteiras imaginadas do zero, grandes blocos de realidades alternativas. Contra a estética da alienação e aniquilação temos que responder com formas novas de sobrevivência e alegria. A Arquitetura tem que ir ao campo de batalha.
notas:
1 shock and awe no original, nota do tradutor
2 Lower Manhattan Development Corporation e Port Authority no original, N.T.
3 Sprawl no original, N.T.
4 One-size-fits-all no original, N.T.
texto extraído do livro The State of Architecture at the Beggining of the 21st Century, TSCHUMI, Bernard et CHANG, Irene (editores). The Monacelli Press, Nova Iorque: 2003.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Posturas para a arquitetura de interesse social (cont.)
Marcou a presença de poucos delegados do Orçamento Participativo (O.P.)– aproximadamente um por instituição – e a quase que total ausência de conselheiros. Apesar disto, a discussões foram bastante frutíferas.
Colocou-se em pauta reinvindicações de Planos de Investimento do O.P. tão antigos quanto de 1998 e por críticas muito duras ao Departamento Municipal de Habitação a prefeitura municipal, especialmente em relação a dois pontos: não cumprimento de promessas e burocracia. Estas questões gerais, no entanto, foram apenas repetições de outras demandas já demonstradas em outras ocasiões, como nas reuniões de preparação para a formulação do Plano Municipal de Habitação de Interesse Social em março deste ano.
As novidades foram na vontade de o conselheiro do O.P. Nelson propôr a criação de uma Comissão de Habitação, resposável por levar adiante discussões focadas na resolução dos problemas das comunidades e, especialmente, no planejamento e estruturação das ações futuras.
Dentro deste contexto, se citou a existência de diversas instâncias de financiamento e de possibilidades de projetos por parte das próprias comunidades, como através do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. O que fica claro, no entanto, é que há um incrivel aumento na demanda de profissionalização das propostas e planos para se acessar os financiamentos, principalmente aqueles em editais federais. Estas sistuações junto com a necessidade de participação e deliberação em fóruns de planejamento, conselhor de desenvolvimento e outras instâncias nas quais foram conquistadas a voz e o voto pelas comunidades não facilitam em nada o preparo para a efetiva participação de pessoas que, em sua maioria, não têm formação técnica nem educação formal e portanto, lidam com as questões do urbano de maneira muito próprias de sua vivência, de suas experiências.
Algumas dessas maneiras são muito sábias e interessantes, mas outras são superficiais e adicionam pouco para as decisões. De qualquer maneira, são legítimas enquanto representarem suas comunidades e isso tem de ser visto como uma vitória do empoderamento e através da democracia das comunidades de Porto Alegre.
Estes processos de participação e a flexibilização dos financiamentos federais, no entando, pouco mudaram as condições de acesso ao saber técnico e profissional para a elaboração das formalíssimas cartas-convite dos editais ou dos detalhados planos necessários para se trabalhar em comunidades. As comunidades poderiam, muito mais legitimamente inclusive, promover por sí próprias as mudanças que vêem necessárias, mas para isso precisam compor equipes de projeto capacitadas e empenhadas para resolver as complexas condições que visam melhorar.
Os técnicos, por sua vez, também pouco mostram-se inclinados a abraçar estas atividades. Razões de sustentação econômica, lucro e as possibilidades do mercado os atraem mesmo que seja para serem os piores de sua classe nesse mercado saturado, injusto e pouco valorizado que é o de projetos urbanos e arquitetônicos. De minha parte, admito que não tenho a segurança de um contrato fixo, encargos sociais em dia, mas estas são flexibilidades temporárias – assim espero - enquanto não achamos a maneira correta de desenvolver as atividades profissionalmente de maneira a sutentar-nos, inclusive em nossos luxos pequeno-burgueses. Sei, no entanto, que estas questões ao menos atualmente são irrelevantes frente a liberdade com a qual desenvolvo meu trabalho, com as relações que desenvolvo com as pessoas da comunidade e de fora.
Sinto que há um gigantesco potencial de atuação de arquitetos diretamente nas comunidades para diversos fins, infra-estrutura, habitacão, planejamento de longo prazo, etc. Falta que achemos condições de financiamento para estas atividades e que nos preparemos para isso.
Continuarei em breve.
Posturas para a arquitetura de interesse social
Primeiro de tudo, a montagem de uma organização comunitária como o Centro de Educação Ambiental permite uma relação muito franca com a iniciativa privada – através da ampla rede montada ao longo dos anos por sua presidente – que não irei questionar em termos de composição ou modo de operações por duas razões. A primeira é que considero estas escolhas parte do direito de organização autônoma da instituição, que certamente é legítima, mesmo que condicione suas ações e demonstre uma certa libertinagem na captação de apoios e recursos. A segunda é que todas as relações e negociações que percebi e presenciei foram dentro dos limites da lei e, mais importante ainda, da ética, o que considero condição essencial para qualquer trabalho. Dentro dessa estrutura, não me sinto como uma vanguarda iluminada que traz o conhecimento, mas como alguém que vê a incrivel capacidade de mobilização de certas pessoas por objetivos claros e impressionantemente públicos. A melhoras das condições próprias de vida e da dignidade das pessoas da comunidade é a base de todos os objetivos que a ONG se propõe e as vantagens das posições políticas locais, dos ganhos dos financiamentos e apoios conquistados não são suficientes para justificar esse empenho. A possibilidade de toda a família Medeiros de viver exclusivamente a partir do trabalho comunitário, construir suas vidas, suas casa, etc, não é desmedida em relação ao seu trabalho diário e seu esforço constante, mas a profissionalização informal das atividades de organização comunitária.
Em seguida a esta organização, a população envolvida tem indivíduos extremamente interessados em mudar seu lugar de vida para melhor. Jurema de Deus é uma dessas e talvez a mais importante – até agora – de todas. Incansável avatar da arquitetura na Vila Pinto, batalha e organiza verdadeiramente diversas atividades, desde as mais festivas até as reuniões do Orçamento Participativo sem ganhar quase nada em troca. Aliás, pagando inclusive o preço de a todo momento estar sendo cobrada como responsável pelos serviços da prefeitura. O mesmo ocorre com outras pessoas que mostram um interesse incomum por organizar-se e tomar para sí as iniciativas, mesmo sendo eterna minoria.
Após isso, devo comentar que a contratação de um jovem profissional arquiteto na minha pessoa fortalece enormemente o desenvolvimento das iniciativas. Não por qualquer característica pessoal ou profissional ímpar que tenha, mas pelo simples fato de poder dedicar-me íntegramente a esta atividade, sem que se baseie em meu tempo livre, em estudos esporádicos e localizados. A minha dedicação exclusiva permite que eu veja, avalie e veja novamente cada impressão sobre a vida na comunidade. Além disso, permite que pequenas iniciativas da instituições sejam potencializadas pelo saber técnico, pela cultura de projeto, pelo planejamento estruturado das atividades e pela qualificação – espero eu - das construções que executam. A constância da presença permite desenvolver as questões da habitação em diversas escalas, instâncias e tentar conciliar o tempo da comunidade, com o da política local, o da política financeira nacional, das organizações civis, etc.
Comento em seguida um acontecimento marcante desta noite que leva mais adiante impressões de meses passados sobre o estado das comundidades em luta pela moradia.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Formação em Agroecologia - segundo módulo
Estão abertas as inscrições para o 2° módulo da Formação em Agroecologia no IMCA, desta vez com ênfase em Arquitetura Bioclimática, organizado pelos nossos amigos Fernando Costa (Fernandão) e Silvio Santi (Silvinho-capu(era)) junto com o pessoal do IMCA. Recomendo.As inscrições custam R$ 100,00 e, pode acreditar, é até baratinho... Mais informações em http://casatierra.blogdrive.com/ ou pelo telefone 3649 6087.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Tchuru-rus, la-ri-lás e projetos em andamento
Buenas, gurizada, aproveitando pra falar com gente que não vejo faz um tempo, vou postar alguma info sobre o projeto que estou desenvolvendo atualmente.
Fui contratado finalmente, há pouco mais de 10 dias, para desenvolver com total dedicação o trabalho no qual me envolvi no ano passado da associação de moradores/cooperativa habitacional/nenhum dos 2 exatamente da Vila Pinto, no Bom Jesus, aqui perto da minha casa, na subida da Protásio Alves.
O dia-a-dia da coisa está corrido demais, até agora risquei muito pouco, mas isso não quer dizer, como bem disse o Fuão, que não estou fazendo arquitetura. Estamos articulando com muita gente um projeto bem ambicioso de prover 350 moradias (em 175 sobrados, provavelmente, mas quem me conhece sabe que só defino mesmo no final) pra famílias que ganhem até 1 salário mínimo.
Enfim, vou contribuir com o projeto fazendo o preparo do terreno para os projetos executivos e até mesmo para o EVU que ainda teremos de completar, mas uma coisa extremamente importante que tenho feito é justamente o trabalho de aproximação com as famílias. Na realidade, já conheço umas 50-60 delas apenas e várias pessoas que estão no nosso cadastro andam um tanto afastadas das atividades de reunião que fazemos no Centro de Educação Ambiental que é a ONG local para a qual trabalho. Nessa caminhada de visitar as casas das pessoas e tentar prospectar locais bacanas e viáveis pra construção das habitações já vemos um movimento paralelo de organização pequena mas crescente dessas pessoas que andavam “a deriva” do processo para se juntar ao grupo.
Tenho uma baita esperança de que, com o jeito certo e cuidadoso de fazer as coisas, mesmo um marinheiro de primeira viagem como eu possa participar de um processo que desenvolva ferramentas e estruturas para autonomia de várias dessas pessoas. Dizer que vamos construir essas ferramentas para todos eu acho perigoso. Primeiro porque mesmo tendo as ferramentas que “nós” (o arquiteto, a lider comunitária carismática, os técnicos de apoio, etc) poderíamos criar, “eles” (os nossos “beneficiários – termo da Caixa – ou clientes) não necessariamente fariam o uso que queremos delas. Segundo porque essas ferramentas, se existirem, têm que vir deles necessariamente, ou a eles se relacionar forte e intimamente, sob pena de cair no mesmo buraco do primeiro ponto.
No fim das contas, ainda temos muito mais dúvidas do que quaisquer noções do que vamos fazer, mas vamos lá estilo El Sub: caminando preguntamos e aquela coisa toda...
Abaixo segue o projeto que fizemos faz mais de 2 meses e que vai ser alimentado a partir de hoje, já que pretendo fazer minhas leituras e mapeamentos finalmente digitais a partir do que já tenho no manteiga.
Abraços a todos!
APRESENTAÇÃO
A VILA PINTO E O CEA
A Vila Pinto está situada na zona Leste de Porto Alegre e é considerada um do bolsões de miséria da cidade. Em décadas passadas, tinha os piores indicadores sociais do Brasil, comparáveis infelizmente aos mais pobres países africanos.
Após muita luta e o desenvolvimento de iniciativas próprias da comunidade, com apoio fundamental de diversas entidades, este quadro foi drasticamente modificado para melhor. Ainda assim os desafios são muito grandes. Hoje cerca de 70% da população de 11 mil pessoas da Vila Pinto estão em situação de risco social necessitando de ações imediatas.
O Centro de Educação Ambiental (CEA) é uma Organização Não-Governamental que tem atuado junto à comunidade por 12 anos através de diversas atividades promovendo a inclusão social, lutando contra o vício das drogas e a prostituição e provendo oportunidades a dezenas de pessoas através da reciclagem , das oficinas culturais e diversas outras atividades.
Desde março de 2007 o CEA, com o apoio da ONG internacional Habitat para a Humanidade iniciou um processo de preparação da comunidade para a mudança. Em reuniões semanais da Cooperativa Habitacional todos compartilham perspectivas e sonhos, buscando sempre a melhor forma de desenvolver um processo participativo amplo.
A Cooperativa formulou o projeto Protagonismo e Desenvolvimento Humano Integral no Processo de Urbanização, Requalificação Ambiental e Construção de Moradias na Vila Pinto, que parte de uma perspectiva sustentável com um desenvolvimento em ciclos e utiliza o capital humano da comunidade, a fim de tornar o ambiente num local saudável através da construção de 350 unidades habitacionais, da instalação de infra-estrutura e da regeneração de córregos, nascentes e áreas verdes.
PROTAGONISMO E DESENVOLVIMENTO HUMANO INTEGRAL
FUNDAMENTOS E JUSTIFICATIVAS DO PROJETO
As demandas da população:
* Urbanização do território: conceito de bairro ecológico, regularização fundiária sustentável, ocupação saudável das áreas de preservação;
* Construção de residências que respondam às necessidades de cada família;
* Verticalização moderada para liberação da Áreas de Preservação Permanente (APP), tornando-as públicas.
Condições da área, da população e divergências legais:
* Área ocupada é pública; e grande parte é APP ou diretriz viária do PDDUA;
* A construção de casas só será possível depois de realizado um EVU completo;
* Atual estrutura e comprometimento familiar não são ideais;
* Maioria da população não possui autonomia financeira.
OBJETIVO GERAL
Fomentar o protagonismo da Comunidade no reordenamento de seu território e utilização de seu espaço de forma sustentável. Atuar a partir da educação e qualificação profissional dos jovens da região, envolvendo, fortalecendo e articulando espaços de discussão e participação de toda a população local, alcançando o projeto participativo do seu ambiente de moradia.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1. Capacitação profissional de jovens entre 16 e 29 anos que já atuam na construção civil, para que sirvam de mão-de-obra qualificada nas obras;
2. Capacitação com foco na participação dos jovens e de suas famílias para a elaboração dos projetos urbanístico e arquitetônico, utilizando como método principal a Pesquisa-Ação;
3. Fortalecimento e identificação das lideranças locais, através de dinâmicas de grupo, de palestras, da articulação com entidades do entorno próximo e da Pesquisa-Ação, promovendo também a devida aproximação dos técnicos com a comunidade;
4. Diagnóstico inicial das áreas de intervenção, específicamente das condições das famílias, da conformidade urbanística e ambiental e da necessidade de relocação ou reformas emergenciais;
5. Estabelecimento junto aos órgãos públicos responsáveis das bases legais e urbanísticas para a realização dos projetos definitivos e para o financiamento federal através das linhas disponibilizadas pela resolução 518 da Caixa Econômica Federal (CEF) e pelo Ministério das Cidades;
6. Mapeamento definitivo das condições de moradia da população, bem como identificação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) a serem restabelecidas, das áreas próprias para assentamento humano dentro da Vila Pinto e a definição das áreas de remoção e relocação;
7. Realização de reformas emergenciais nas moradias mais precárias e que apresentam risco estrutural e à saúde humana, com base no levantamento realizado no item 4, utilizando mão-de-obra dos jovens em capacitação conforme o item 1 e materiais de um Banco de Materiais a ser estabelecido junto a parceiros da indústria da Construção Civil;
8. Elaboração pela comunidade tecnicamente auxiliada de diretrizes para a elaboração de projeto urbanístico e arquitetônico;
9. Execução do projeto urbanístico, requalificando o meio-ambiente articuladamente com a construção de novas moradias;
Ao final do processo, além dos resultados visíveis como a reestruturação física e ambiental do território e a construção de moradias, o projeto pretende ter alcançado a população da Vila Pinto em sua estrutura psíquico-emocional através dos processos de capacitação e também oferecendo condições saudáveis de habitação em seu sentido mais amplo, colaborando para o fortalecimento das relações familiares e contribuindo para a erradicação dos fatores responsáveis pelo alto índice de criminalidade entre os jovens da região.
QUADRO GERAL E ESTATÍSTICAS DA VILA PINTO
* 11 mil habitantes, aproximadamente 2.222 domicílios;
* 80% domicílios precários;
* 60% da população garante seu sustento com a coleta de material reciclável;
* Renda Média: 1 Salário Mínimo
* Escolaridade: primário incompleto;
* 80% menores infratores do centro da capital;
* Maior incidência do vírus HIV na cidade;
* Altos índices de homicídios entre jovens de 14 e 21 anos e de exploração sexual infantil.
LOCALIZAÇÃO


Nestas bases, se estabelece a necessidade do processo de levantamento geral da área, para dimensionar os investimentos de tempo e recursos humanos. Uma análise inicial das condições físicas e legais da área revela um quadro complexo, em que a grande declividade do terreno, as áreas de diretrizes urbanísticas e as áreas de preservação dos córregos e nascentes obrigam a negociação e articulação com diversos atores públicos, especialmente SMAM, DEP, DEMHAB e SPM e a busca de financiamentos em diversos agentes públicos e privados.
Assim, desde o princípio a participação dos cooperados necessita de acompanhamento técnico adequado, de modo a permitir que os trabalhos surjam de maneira a atender os interesses locais, respeitando a legislação e sendo factíveis nas condições existentes.
Além disso, o acompanhamento técnico permite a articulação dos diversos reguladores públicos e dos parceiros privados de maneira íntegra com os objetivos específicos da construção das moradias e da melhoria do habitat pretendido pela população.

ÁREAS DE ATUAÇÃO DO PROJETO
As 350 famílias a serem contempladas diretamente pelo projeto encontram-se bastante dispersas no território da Vila Pinto e da Vila Mato Sampaio. Cerca de 80 delas estão em áreas de ocupação proíbida e deverão ser removidas de seus locais atuais e relocadas dentro da própria Vila Pinto, em sobrados a serem construídos nas áreas passíveis de ocupação.
Para se estabelecer este levantamento com maior precisão e iniciar o processo de orçamento e planejamento com detalhe necessário para o apoio dos agentes financiadores públicos, é imprescindível a presença de técnico com dedicação integral ao projeto. Assim, a articulação entre Prefeitura Municipal, Habitat para a Humanidade e a Cooperativa Habitacional contará com duas etapas:
1. Levantamento geral das necessidades de ação;
2. Realização do projeto definitivo e execução das obras.
Deste modo, se articulará a necessidade de conduzir estudos e desenvolver dinâmicas locais com o tempo de desenvolvimento, junto a Prefeitura Municipal, do Estudo de Viabilidade Urbana para a área, a ser coordenado pelo Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB).
Com a avaliação da Prefeitura e após estes estudos se poderá acessar, junto a Caixa Econômica Federal os recursos para a edificação das casas e regeneração do ambiente.
CRONOGRAMA ESPERADO DE DESENVOLVIMENTO
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Formação em Agroecologia

Buenas,
A sustentabilidade hoje virou etiqueta. A transição entre um modelo extremamente nocivo ao meio ambiente, para uma relação mais equilibrada com os recursos naturais, finalmente aparece nas políticas públicas, nas pesquisas científicas, depois de ser longamente defendida pelos movimentos sociais. Mas a simples adoção de técnicas consideradas sustentáveis, não é suficiente para a transformação necessária. A agroecologia não se limita às técnicas de produção limpas, sem veneno. Ela relaciona aspectos da vida no campo e na cidade e re-significa nossa existência, porque trabalha a compreensão do respeito como prática cotidiana. Essas práticas não são um museu imutável, mas se recriam a partir de diferentes realidades locais.
Com essa compreensão, agregada a experiência do Instituto Morro da Cutia (Imca), na transição agroecológica da Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus), contando agora com a parceria do Casatierra, convidamos todas e todas para participarem da Formação em Agroecologia.
O primeiro módulo será nos dias 8 e 9 de março (sábado e domingo), em Montenegro.
Ao todo serão sete módulos voltados para a formação básica em agroecologia.
A programação do primeiro módulo inclui palestra sobre a experiência em Agroecologia, da Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus), com o agricultor Paulo Lenhardt; aulas sobre Sistema de captação de água da chuva e construção de cisterna, com o bioconstrutor Fernando Campos Costa; Biodinâmica, com o biólogo Luis Carlos Laux e Agrofloresta, com o engenheiro florestal Stefano Ilha Dissiuta.
Além de informações técnicas, os participantes irão vivenciar as diferentes práticas durante toda a formação, no Centro de Tecnologias do IMCA.
A formação é dirigida para agricultores familiares, movimentos sociais, técnicos e estudantes que buscam iniciar a caminhada da agroecologia.
Mais informações em http://casatierra.blogdrive.com/Revista Ambiente completa 100 números
A Revista Ambiente está completando 100 edições, infelizmente hoje apenas digitais. Como sempre traz discussões de grande relevância para o mundo da Arquitetura, do Urbanismo e do ambiente em geral. Destaque especial para "infinitas questiones pendientes", o editorial do n° 100 e uma maneira bem característica deste pessoal comemorar - se questionando.Aproveitem!
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades
Promoção:
Prefeitura de Porto Alegre
Prefeitura de Montreal
Ministério das Cidades
sob os auspícios da UNESCO e da UN-HABITAT.
Parceria:
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
Banco Mundial (BIRD)
Cities Alliance
Observatório Internacional de Democracia Participativa (OIDP)
Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU)
Comissão de Inclusão Social e Democracia Participativa (CISDP)
Associação Internacional dos Prefeitos Francófonos (AIMF)
Conselho Europeu de Municipalidades e Regiões (CEMR)
Políticas Locais sobre Direitos e Responsabilidades dos Cidadãos
Bom, agora são 15:17, acabei de chegar da PUC e quis escrever imediatamente pra não perder o estado de espírito da CMDC. Depois de muitas voltas e raciocínios voluptuosos, quase barrocos, cheguei a uma palavra que resume, pelo menos o estado de espírito deste primeiro dia de conferência: TOSCA. Mas logo ela foi insuficiente e tive que acrescentar: BUNDA-MOLE.
Cheguei atrasado (como de costume) e peguei só o fim da abrtura do evento que tem como tema do primeiro dia "O Direito à Cidade". Ingenuamente, fui-me esbaforido ouvir a parte que mais interface faz da Sociologia com Arquitetura e Urbanismo. Um tesão, em resumo. Subi as escadas correndo, peguei crachá e uma mochilinha cheia de badulaques e objetos que mesmo antes de serem usados já se pode chamar lixo. Entrei no auditório do centro de eventos da PUC e sentei-me finalmente para saborear o contiúdo. Pois não é que em menos de 20 minutos começei a quase dormir na cadeira de tanto ouvir raciocínios curtos que não tem nada de novo, uma parte genérica sem sentido que se pretendia um panorama geral sobre a questão "desenvolvimento e direito à cidade", totalmente sem crítica e, ainda, pode-se dizer medrosa.
Em algum momento alguém fala em Henri Lefebvre, me ajeito na cadeira (porque agora viria a parte interessante!). Mais brochação. O cara citou o Lefèbvre para dizer que ele foi o primeiro a levantar a questão sobre o direito à cidade. Mas presumo que ele fez uma pesquisa de títulos e datas e, por eliminação chegou a esta conclusão, pois o conteúdo de "O Direito à Cidade" de Lefebvre era total estranho a este senhor. Ele não conseguiu nem falar do título do livro porque, óbvio, ele nunca tinha lido. Não aguentei até o fim, saí pra tomar um café.
Na tarde, mais ananás reunidos ao redor de uma mesa falando do "desenvolvimento" como se fosse uma coisa muito objetiva, através de experiências próprias nos seus países. Resumo das idéias: apologia do estado mínimo (e com este argumento presumem conseguir coptar a idéia de autogestão [!], conceito com o qual fazem um malabarismo pra adaptar ao neoliberalismo, malabarismo que começa lá pelo Dirceu Carneiro do PSDB na década de 70 e chega até o Olívio Dutra do OP do PT dos ultimos 12 anos de gestão), desresponsabilização do poder público, transferência dos deveres do estado para as associações civis, ode ao trabalho, à "qualidade de vida", capital social e muitas outras bizarrices que vcs nem podem imaginar. A sensação era "o que que eu to fazendo aqui...". Saí na metade pela segunda vez.
2° DIA - 14/02 - Governança e Democracia em Cidades
Experiências Inovadoras de Gestão e participação Democrática
Primeiro, a tividade de abertura: Governança e democracia em cidades - experiências de perticipação democrática. Um tal Antanas Mokus, prefeito de Bogotá, Colômbia. No seu governo conseguiu reduzir a criminalidade na capital em 48%. Por que ele está aqui? Certamente não é à toa. Fogaça e o PIG (Partido da Imprensa Golpista) pretendem usar métodos que dêem resultados estatícos semlhantes com políticas semelhantes, por exemplo: lei seca, já em vigor nas rodovias, mas não a 10 metros delas. Mas o homem (Mokus) é capaz de coisas inesperadas que o nosso prefeito, o homem genérico por excelência, não seria, como baixar as calças para os manifestantes que faziam barulho na sua palestra certa feita. O primeiro n° do Le Monde Diplomatique brasileiro traz uma longa reportagem sobre este tema.
Na oficina Modelos sistêmicos de gestão de cidades, apologia da gestão empresarial do estado para aumentar a eficiência e gerar resultados estatísticos. Falam em qualidade, mas todas as pautas qualitativas são embasadas em quantitativas. Quer dizer, isso não pode ser sério... ou pode?
Já no "grande painel 2" O grande painel John Dewey sobre democracia cooperativa, o tema foi John Dewey, um norte-americano que escreveu sobre democracia pragmática embasada na educação progressiva. "Para Dewey era de vital importância que a educação não se restringisse ao ensino do conhecimento como algo acabado – mas que o saber e habilidade do estudante adquirem possam ser integrados à sua vida como cidadão, pessoa, ser humano." (Wikipedia). A isto chamou de experimentalismo. No final das contas temos um experimentalismo pragmático. Será?
Não sei, mas sei que as pessoas que foram convidadas para esta conferência tem um lado bem definido, e não é o do ser humano, tenho impressão de que não precisamos ir longe pra saber qual é o lado...
3°DIA - 15/02 - Desenvolvimento Local em Cidades
Hoje destaque especial para o PIG (Partido da Imprensa Golpista) na figura da Zero Hora, que insiste numa comparação insólita desta bizarrice com o Fórum Social Mundial. Segue a "notícia no ZH online:
No lugar das batas hippies, tailleur e maquiagem. Em vez de camisetas e calças de algodão cru, gravatas e camisas sociais. Pelo menos nos trajes, a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento de Cidades tem pouco em comum com o Fórum Social Mundial (FSM).
Não que o colorido dos militantes das Organizações Não-governamentais (ONGs) que marcou as edições porto-alegrenses do FSM esteja ausente desta conferência mundial sobre experiências urbanísticas. As barulhentas ONGs apenas agem como minoria na conferência.
O próprio nome do encontro que se realiza agora na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) explica a diferença. A Porto Alegre dos fóruns sociais mundiais virava uma cidade alternativa ao debater as utopias de esquerda (?). Agora, a capital gaúcha é sede de um evento que estuda alternativas práticas (?) para o futuro das cidades.
Até o tipo de assistente das palestras mudou. Abundam entre os 6.968 inscritos na conferência arquitetos, urbanistas e alunos de Direito, muitos deles policiais - sim, porque violência e crime são alguns dos assuntos palpitantes nos painéis. Estudantes também marcam presença, mas não de forma esmagadora como nos fóruns sociais.
Grande parte dos palestrantes é vinculada a algum tipo de governo e, bem de acordo com a função, traja-se a rigor. Formalidade que também influencia no visual da platéia, integrada por muitos assessores parlamentares ou comitivas oficiais de seus países. Que o diga o moçambicano Fernando Arrossa, integrante do Conselho Municipal da cidade de Matola. Ele e quatro conterrâneos perambulavam de terno e gravata na tarde de ontem pelas salas da conferência. São vereadores e vestiam-se como seus colegas brasileiros, roupa alinhada, cabelos cortados rente, cores discretas. Não fosse o sotaque, poderiam ser confundidos com executivos do Primeiro Mundo.
A música ambiente também é muito diferente da vivenciada nos Fóruns Sociais Mundiais. No lugar dos violões e das gaitas-de-boca dos acampamentos - aliás, não existem acampamentos nesta conferência - , os freqüentadores na PUCRS se deleitam, por exemplo, com solos de violino. Eles são patrocinados, no caso, por Vinícius Nogueira, violinista profissional há uma década, contratado pela Caixa Econômica Federal. Conseguiu atrair um público cativo. Tudo muito zen. Ou muito cool, como preferem os norte-americanos. Ha-ha-ha.
4° DIA - 16/02 - Sustentabilidade e Cidade-rede
Emergência das Redes Sociais e a Cidade Sustentável do Futuro
1. Green Capitalism, sem comentários.
2. a técnica é neutra, pode ser usada para o bem ou para o mal... a técnica e a tecnologia ajudam a compor os limites do pensamento de uma época e de neutra não tem nada, isto já não é segredo pra mais ninguém, menos pros palestrantes da conferencia mundial de cidades...
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Paulo Mendes da Rocha e o "fazer" da arquitetura
| Fale sobre sua forma de projetar, em parceria com outros escritórios. |
|
| E certamente muitos deles foram seus alunos... |
|
| Por que ideal? |
|
| Como aconteceu essa aproximação? |
|
PS: Quem dera que cheguemos aos 77 anos deste jeito...
Continua em http://www.arcoweb.com.br/entrevista/entrevista38.asp
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Sustentabilidade das arábias...
A pérola das arábias: uma cidade sem carros, sem lixo e sem impostos

Certo, nenhum de nós recusaria o desafio de pensar uma cidade inteira que não poluísse e ainda fosse sustentável. Mas este tipo de ação tem limites, isto é, quando a sustentabilidade ameaça o sistema econômico ela chega no seu limite. O sistema econômico é baseado na mercadoria, quer dizer, enquanto a cidade for mercadoria ela pode ser sustentável, ter tranporte público de alta qualidade, reutilizar água, emitir ovo carbono, não ter carro, etc... o que interessa é que ela seja rentável.
Mas para termos mercadorias precisamos ter exploração, trabalho abstrato, tempo social médio de trabalho, e tudo isto que já conhecemos de longa data.
As vezes chega a ser meio ridículo: o ser humano, parte da natureza, e ao mesmo tempo separado dela por intermédio do trabalho, quando pensa suatentabilidade não consegue pensar na "coisa" fundamental que liga ele ao "resto" do mundo, o que Marx chamou de o "metabolismo" do ser humano com a natureza, o próprio trabalho... é "a miséria de mil esplendores do planeta neanderthal", como diria Lenine.
A sustentabilidade é parte de um sistema social e precisa ser tratada assim, quando mudar o sistema social muda o metabolismo desta sociedade com a natureza . Sendo simplório, parece ser mais ou menos isto... não custaria nada pegar um pouco deste dinheiro todo (trabalho acumulado) e aplicar em pensar o futuro da vida na terra com mais seriedade do que fazer espetáculo pra árabe ver.
Seguem mais algumas imagens do megaempreendimento que será materializado pela "Foster's Corporation" (heheh):





